A Central de Abastecimento de Goiás — CEASA Goiânia — é um dos principais entrepostos de distribuição de produtos hortifrutigranjeiros do Centro-Oeste brasileiro, movimentando centenas de toneladas de frutas, verduras e legumes diariamente. Inevitavelmente, uma parcela significativa desses produtos não atinge os padrões comerciais mínimos e é descartada antes de chegar ao consumidor final.
Esse fluxo contínuo de resíduos orgânicos — estimado em mais de 40 toneladas por dia — representava um custo crescente de logística e disposição final, somado ao risco ambiental do descarte irregular e à emissão passiva de metano em aterros. Ao mesmo tempo, esse volume expressivo de biomassa de alta fermentescibilidade era um ativo energético totalmente inexplorado.
O desafio técnico central era converter uma operação com grande variabilidade de substrato (diferentes espécies vegetais, teores de umidade e sazonalidade de oferta) em uma planta de biogás estável, capaz de produzir biometano em quantidade e qualidade suficientes para certificação no âmbito do RenovaBio.
Além dos aspectos técnicos, o projeto exigiu articulação institucional com a CEASA, adequação ao licenciamento ambiental, integração logística com as operações do entreposto e estruturação do modelo de negócio para monetização do biometano e dos créditos de carbono (CBIOs).
Resíduo de entrada: Frutas e verduras fora do padrão comercial — alta carga orgânica (DQO elevada), ideal para digestão anaeróbia de alta eficiência.
A 4WaTT assumiu o escopo completo do projeto na modalidade EPC (Engineering, Procurement & Construction), desde os estudos preliminares até o comissionamento e operação estabilizada. O dimensionamento levou em conta as variações sazonais de composição dos resíduos e garantiu robustez operacional ao longo de todo o ano.
A tecnologia central adotada foi o biodigestor anaeróbio de mistura completa (CSTR), escolhido por sua comprovada eficiência no tratamento de substratos sólidos heterogêneos com alto teor de celulose e hemicelulose. O sistema opera com tempo de retenção hidráulica (TRH) otimizado para maximizar a produção específica de metano por tonelada de resíduo.
Para a etapa de upgrading — purificação do biogás bruto em biometano —, foi instalada uma unidade de separação por membranas, tecnologia de baixa complexidade operacional e alto grau de automação. O produto final atinge especificação de 97% de pureza de metano (CH₄), compatível com injeção em rede ou comercialização direta como gás veicular e industrial.
Todo o sistema de monitoramento e controle foi integrado a uma plataforma SCADA dedicada, com telemetria em tempo real, alertas automáticos e relatórios operacionais periódicos. Essa infraestrutura é a base para a geração e rastreabilidade dos CBIOs junto à ANP e à B3.
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